O Dia Mundial da Educação, celebrado em 28 de abril, é um convite à reflexão sobre os avanços e os obstáculos que ainda persistem no acesso e na qualidade da educação em todo o mundo. No Brasil, um dos principais obstáculos continua sendo a desigualdade racial, que impacta diretamente o desempenho escolar de milhões de crianças e adolescentes.
Segundo dados analisados a partir do Censo Escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a diferença entre estudantes brancos e negros no ensino básico é evidente. Crianças negras, em sua maioria, frequentam escolas com infraestrutura mais precária, têm menos acesso a recursos pedagógicos e estão mais expostas a situações de vulnerabilidade social. Essas condições influenciam diretamente em seu rendimento escolar.
Em avaliações como o Saeb, alunos negros apresentam, em média, notas mais baixas que os colegas brancos em disciplinas como português e matemática. Além disso, a evasão escolar também é mais comum entre estudantes negros, reflexo de um contexto onde as oportunidades de permanência e aprendizagem não são iguais para todos.

Causas estruturais e históricas
Para especialistas, essa realidade está diretamente ligada ao racismo estrutural que marca a sociedade brasileira desde sua formação. A educação, apesar de ser um direito previsto em lei, ainda reproduz desigualdades históricas quando não considera as especificidades de diferentes grupos raciais.
A professora e pesquisadora Lúcia Xavier, ativista da ONG Criola, destaca que a educação pública no Brasil, especialmente nas periferias, ainda carrega traços da exclusão racial. “Não basta garantir acesso à escola, é preciso garantir permanência com qualidade, reconhecimento da identidade racial e combate às desigualdades desde a base”, afirma.
Além da infraestrutura deficiente, outros fatores contribuem para esse cenário: a ausência de representatividade no corpo docente, o currículo pouco inclusivo e o racismo vivenciado no ambiente escolar.
O que pode mudar esse cenário?
A implementação de políticas públicas voltadas à equidade racial é um dos caminhos possíveis para transformar essa realidade. A formação de professores em educação antirracista, a inclusão de temas étnico-raciais no currículo escolar, o fortalecimento da representatividade e a melhoria da infraestrutura em regiões mais vulneráveis são passos fundamentais.
Programas de reforço escolar e acolhimento psicossocial para alunos em situação de vulnerabilidade também podem ajudar a reduzir essa defasagem. Para muitos especialistas, a chave está na combinação de investimento financeiro com compromisso político e social.

